Building Stories

Na sexta (19 de julho) o “Building Stories”, de Chris Ware, ganhou quatro categorias do prêmio Will Eisner, realizado na Comic-Con. As quatro categorias foram Melhor Álbum Gráfico Inédito, Melhor Escritor/Ilustrador, Melhor Colorista e Melhor Letrista. (Quer ver todo mundo que ganhou? Olha aqui!)


Li o livro em abril, depois de um tempo tentanto comprar. E wow, um dos melhores livros que li esse ano até agora. 

O livro na realidade é uma caixa com vários caderninhos, livrinhos, tirinhas e até jornais. Não existe um começo ou um fim – é só ir pegando eles e lendo. Com isso, a construção dos personagens é lenta, e um pouco confusa no comecinho – mas incrível depois. Por não ter uma ordem específica, cada leitor vai ter um processo e uma sequência diferentes de apresentação de personagens. Nesse sentido, a cronologia assume um papel curioso – o leitor acaba entrando na vida de alguém em um ponto aleatório, e descobrindo aos poucos o que veio antes ou depois disso. 

É importante falar que o livro é basicamente sobre a vida de pessoas e seus sentimentos (principalmente solidão), que podem ser abordados à exaustão por vezes. É bonito, no fim acaba sendo uma crônica uma vida inteira. 

Para mim, um dos pedaços mais legais é um que mostra um prédio pensando. Ele dá vida à construção – e foi um jeito ótimo de provocar uma reflexão sobre as pessoas que moram ali. Outro pedaço legal é a história de um casal de abelhas (fofo, fofo).


O livro é terrivelmente humano, o que pode acabar sendo cruel também. É curioso ver o que acontece depois que o sonho aparentemente se concretiza.

Uma das personagens, que é um pouco como a personagem principal, parece sempre frustrada e parece com uma alma inquieta, esperando mais mas sem saber o que. Ela vai indo com a vida, sem fazer nada muito grande para mudar as coisas, mesmo quando não se sente confortável com o que está na frente dela. Isso pode parecer apatia, mas em outros momentos ela parece bastante corajosa por se jogar em uma nova situação, sem medo de não dar certo. Ela ainda tem uma consciência humana muito forte, uma espécie de sensação de pertencimento ao mundo, de conexão entre as coisas.


Jimmy Corrigan, outro livro do mesmo autor, foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Ainda não vi nada sobre uma previsão de uma tradução desse – é inclusive uma obra complexa para ser traduzida.



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