The first bad man

No começo de fevereiro li o livro “The first bad man”, da Miranda July. Peguei o livro para ler sem saber quase nada – tudo que sabia era que esse é o primeiro romance da autora/artista/cineasta. A verdade é que o livro me surpreendeu – positiva e negativamente. E, quase uma semana depois de ter terminado, ainda não sei se gosto dele ou não. Por isso, resolvi escrever alguns pensamentos (um tanto desconexos) que tive sobre ele.

foto-2

 

Ele é estranho. E não pelo estilo de escrita (o livro é gostoso de ler), mas pelos personagens e pela história mesmo.

*

No livro de contos dela, o No one belongs here more than you, a autora apresenta personagens estranhos mas adoráveis. Ao contrário, os personagens do romance me parecem muito mais estranhos do que adoráveis. Várias relações que acontecem entre eles no início do livro não são bem explicadas e não parecem verossímeis nem mesmo no mundo de pessoas loucas da Miranda July.

*

A personagem principal é Cheryl Glickman, uma mulher de meia idade que mora sozinha e tem uma vida bastante certinha (certinha do jeito July de ser, claro. E essa é uma parte que adoro). Por exemplo: para manter a cozinha limpa e arrumada, Cheryl usa apenas um jogo de louça, que se obriga a lavar assim que usado para ter com o que comer na próxima refeição. Uma personagem típica de July.

*

As coisas começam a mudar na vida de Cheryl por causa de dois personagens: Philip, homem mais velho que é um amor não correspondido de Cheryl há anos e Clee, filha jovem adulta dos chefes de Cheryl que decide morar com ela. A verdade é que as motivações para as mudanças de relacionamento entre Philip x Cheryl e Clee x Cheryl não ficam claras e, tirando a Cheryl, os outros personagens mal foram apresentados para o leitor até então.

*

Clee é a principal causa de mudança da vida de Cheryl, mas é difícil explicar sem contar spoilers. De qualquer maneira, as duas começam a se relacionar de uma maneira bem estranha (e não é exatamente um romance entre as duas). É algo que lembra a ideia do Clube da Luta basicamente. Pois é.

*

Cheryl é uma personagens com uma ambiguidade curiosa: ao mesmo tempo que pode parecer apática, algumas de suas ações ou inações mostram uma personalidade um tanto forte (por exemplo: não tomar uma atitude contrária a uma agressão específica de outra pessoa por sentir um prazer com isso). Essa construção é um aspecto interessante da obra.

*

Um personagem que gosto muito é o Rick. Apesar de ser secundário, ele tem uma importância bem interessante na história, principalmente para determinar a personalidade de Cheryl. Este é um ótimo momento do livro.

*

O que mais me incomoda é a falta de motivação dos personagens para suas ações e alterações ao longo da história, principalmente no começo. Em uma divisão hipotética, a segunda metade é muito mais trabalhada nesse aspecto, os personagens parecem mais completos e menos aleatórios.

*

Um dos grandes temas do livro é a maternidade, abordada de uma maneira bem não tradicional. É bem interessante como ela usa vários personagens para trazer diferentes sentimentos em relação ao tema.

*

Apesar do sentimento de estranhamento (talvez até por causa disso), fiquei com muita vontade de reler o livro, principalmente o começo, para ver se entendo melhor os personagens e as motivações.

*

Você já leu esse livro? Se sim, me conta o que você achou!

Já falei aqui sobre o It Chooses You, um livro de não-ficção da autora.

Título: The First Bad Man
Autora: Miranda July
Editora: Scribner
Ano: 2015
ISBN: 9781439172568

A previsão de publicação desse livro no Brasil é para o segundo semestre de 2015, pela editora Companhia das Letras.

 

 

Advertisements

3 thoughts on “The first bad man

  1. Oi Gisele! Terminei de ler esse livro em outubro e estava doida pra encontrar alguém que também tivesse lido pra falar sobre ele. Primeiramente, eu era doida pra ler algo da Miranda July e essa foi a minha primeira e única experiência até agora. Assim como você, terminei a leitura com essa mesma sensação de “não sei se gostei ou não”. Mas acho que gostei sim porque ele é estranho e eu gosto de coisas estranhas hehe. Achei que o livro é cheio de metáforas e relata um processo de transformação na vida da Cheryl. Ela tinha vivido até então sem que nada de extraordinário tivesse acontecido e parece que ela tinha essa necessidade de que algo acontecesse e fizesse a vida dela ter sentido. Essa necessidade é representada pelo globus hystericus que ela tem no início da história. Pelo menos essa foi a minha interpretação. Não quero ficar falando muito pra não dar spoiler pra quem ler esse comentário. Será que a essa altura você já conseguiu digerir essa história?

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s