Por mais livrarias

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Pelo segundo ano consecutivo, acontece no Reino Unido a campanha Books Are My Bag, que incentiva a compra de livros em lojas físicas perante uma queda de vendas em prol de lojas online. Durante o mês de outubro, o evento promove eventos, promoções e distribui eco-bags e outros objetos promocionais para incentivar a venda em livrarias.

Vi as ações deles pela internet (existem vários vídeos no Youtube) e comecei a pensar no meu próprio consumo. Adoro ir em livrarias (o cheiro, ver os livros de perto), mas compro muito em lojas online (preço). Ainda assim, se tivesse que escolher apenas uma entre os dois formatos, com todas as vantagens e desvantagens, ficaria com livrarias físicas (encontrar um livro do qual nunca tinha ouvido falar é uma grande alegria).

Por isso, para que esses lugares continuem existindo, convido: vamos ir mais em livrarias?

Primeiras linhas

Eu não acho bons começos de livros exatamente essenciais – vou continuar lendo a obra se não achei as primeiras páginas sensacionais. Mas ultimamente li alguns livros com primeiras linhas incríveis e comecei uma espécie de coleção imaginária delas, que resolvi registrar em um lugar mais seguro que a minha memória nada confiável.

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“O drama da vida, ela lhe disse um dia, é que as pessoas sempre querem alguma coisa. O desejo está lá, sempre esteve. As pessoas movem o mundo por ele. Feliz é quem consegue, infeliz quem não consegue. Já o drama da sua vida é que você não quer nada”.

 Não muito – Bolívar Torres (7Letras)

“Quando Ada morreu, as roupas ainda não tinham secado. O elástico das calças continuava úmido, as meias grossas, as camisetas e as toalhas de rosto penduradas do avesso, nada estava pronto. Havia um lenço de molho dentro do balde. Os potes de recicláveis lavados na pia, a cama desfeita, os pacotes de biscoito abertos em cima do sofá – Ada tinha ido embora sem regar as plantas. As coisas da casa prendiam a respiração e esperavam. Desde então, a casa sem Ada é de gavetas vazias”.

 Noites de Alface – Vanessa Barbara (Alfaguara)

“Para o coração a vida é simples: ele bate enquanto puder. E então para. Cedo ou tarde, mais dia, menos dia, cessa aquele movimento repetitivo e involuntário, e o sangue começa a escorrer para o ponto mais inferior do corpo, onde se acumula numa pequena poça, visível do exterior como uma área escura e flácida numa pele cada vez mais pálida, tudo issi enquanto a temperatura cai, as juntas enrijecem e as entranhas se esvaem. Essas transformações das primeiras horas se dão lentamente e com tal constância que há um quê de ritualístico nelas, como se a vida capitulasse diante de regras determinadas, um tipo de gentlemen’s agreement que os representantes da morte respeitam enquanto aguardam a vida se retirar de cena para então invadirem o novo território”.

A Morte do Pai – Karl Ove Knausgard (Companhia das Letras)

“Uma vez me perdi. Tinha seis ou sete anos. Vinha distraído e de repente não vi mais meus pais. Me assustei, mas logo retomei o caminho e cheguei em casa antes deles – continuavam me procurando, desesperados, mas naquela tarde achei que tinham se perdido. Que eu sabia voltar para casa e eles não”.

Formas de voltar para casa – Alejandro Zambra (Cosac Naify)

“Uma vez que cabe a mim, teu narrador, a obrigação de narrar, e a ti, meu leitor, a de ler – se assim te apraz -, faz-se mister, por questões de cortesia, que nos apresentemos. Porém, não sendo possível que eu te conheça, não há sentido que conheças a mim, posto que cá eu ficaria em posição de desvantagem contigo. Permita-me, então, que aqui apresente somente minha intenção, e esta é a de narrar. E, ao fazer tal afirmação, estabeleço o compromisso de que te narrarei somente aquilo que vi; e o que não vi, ouvi; e o que não vi nem ouvi, li. Já aquilo que não vi, ouvi ou li, inventei, pois, se as passagens mais cheias de assombros e maravilhas são todas verídicas, coube às mais banais e cotidianas o fardo de serem todas dictícias, do contrário, como se sabe, a narrativa não anda, e é preciso das verossimilhança aos fatos”.

Quatro Soldados – Samir Machado de Machado (Não Editora)

 

Ideal Bookshelf

No momento viciada-em-Girls que estou, foi super legal achar a Ideal Bookshelf da Lena Dunham. (Para quem não sabe: Girls é um seriado, criado, roterizado e estralado pela Lena Dunham – uma coisa meio Woody Allen mesmo. E Ideal Bookshelf é um projeto super fofo da artista Jane Mount, em que ela desenha a coleção ideal de livros de várias pessoas).  

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Desenho da Jane Mount com os livros da vida de Lena Dunham.

Foram já para a lista de leitura.

Pergunta difícil: quais seriam os livros da sua prateleira ideal?